Meu marinheiro não fez promessa alguma.
Nem se quer deu-se ao trabalho disto.
Deixou-me no porto a ver navios.
Grandes, pequenos, vários deles.
Não usei lenço algum. Quiçá uma lágrima de despedida.
Entreguei-lhe num pacote meu orgulho e fui-me embora antes que ele fosse.
Não guardei nada. Nenhuma lembrança com carinho ficou.
Fui-me embora por mim. Por mais ninguém.
Meu marinheiro era muito mais livre que eu.
Eu era, talvez, tudo que ele almejava. Mas ele descobriu que é melhor uma mulher calada.
Nenhuma lembrança de mim ele guardará, eu sei.
Prometerei nunca mais voltar àquele porto, nem apertar os olhos para olhar o horizonte.
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