domingo, 15 de agosto de 2010
Naufrágio em linhas.
Obrigada, moço Por me conceder a escrita deste poema Iniciado sobre linhas retas, tão certas. Palavras que navegam simetricamente E tu és o capitão desta imensidade branca, Deste barco de papel. Estive contigo nos sete mares Junto nas turbulências e tempestades. Porém – sempre o porém! –Minhas mãos falhas de tanto escrever um romance inacabado,Tremeram suavemente, dia após dia. Até que um terremoto tomou conta das mesmas, Permitindo-me, sem querer A entortar o que era reto, Transformar o que era adulto em um feto. E dizendo-se respeito à vastidão azul? A mais forte das ondas derrubou o que parecia tão concreto Desesperada gritando por socorro, Não vi tua mão ali para me acolher. A mesma simplesmente bateu sobre a água E fugiu, deixando para trás todos aqueles dias Que ali vi que eram apenas doces mentiras. Apenas não pense, moço, Que me afundei E morri em profunda solidão Bem que me diziam que o que é de papel Quando molha, há a inundação.
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