domingo, 15 de agosto de 2010

Um auto-retrato mal feito

Sou um auto-retrato mal feito, folhas amassadas, réstias de café e pedaços consideráveis de poeira. Um esboço, em si. Um rascunho, não terminado. Um pouco de mim, um pouco de ti. Uma humana qualquer, com características físicas de uma humana comum: olhos, nariz, boca, braços, pernas. Mas não falo propriamente das minhas características físicas, o que me importa realmente são as minhas capacidades mentais. Por dentro, sou totalmente oca. Alienada. Infeliz.
Uma porção de desabafos baratos e dramas perdidos. Migalhas de romances e restos de chá. Sou tudo o que mantém ela por perto. E quem seria ela? Ela é aquela que está ali, observando tudo, de fora. A minha menina dos olhos verdes, a minha garota. Ela estará sempre aqui, observando por fora. Tudo. Um nada jamais será tudo. Um nada, um nada é apenas o que nunca houve o que nunca restou o que nunca aconteceu. E tudo o que eu sei dela, da minha menina dos olhos perfeitos, é que ela nunca aconteceu, ela nunca esteve aqui, não de verdade. Não gosto de falar das pessoas em si, prefiro ficar com minhas mágoas perdidas em meu peito, meu vazio solitário. Prefiro dividir meus dramas comigo, com minha solidão. Sou apenas um pedaço rasgado e gasto de papel, com o suor nervoso de suas mãos. Sou uma porção de dúvidas e respostam felizmente não me faltam. Estou perdida, isso eu sei, estou perdida dentro de mim, dentro dos meus textos. Em um universo paralelo vivendo com uma identidade falsa. Sou um pseudônimo. Sou uma verdade, sou uma traidora infeliz.

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