terça-feira, 16 de novembro de 2010

desculpa mãe;

O tempo passa e eu vou aprendendo, amando, sofrendo, levantando, sorrindo, vivendo. Chama-se a isto, crescer. Sei que, as minhas atitudes não são das melhores. Acho que às vezes, não tens orgulho em mim. O que me magoa mais, são as tuas palavras. Sei que estás cansada. Pelo trabalho, pelos anos que já tens contigo, pelo peso de tudo aquilo pelo que já passaste. Mas custa-me ouvir as tuas palavras. Fecho-me no quarto, e choro. Preferia que me batesses. Estás enervada e dizes coisas, que muitas vezes, não queres dizer. Mas na verdade, dizes. E isso também me está a cansar a mim. Também me está a por mal. Também me está a enervar. E depois, sou eu que digo coisas que não quero dizer. Fecho-me outra vez no quarto. Agora sou eu que tenho vontade de me bater. Alguém que me bata! Eu não iria sentir. Se calhar até me doeria menos, do que tudo isto. Não te quero ver partir. Não quero que te sintas culpada, se fui eu que errei. Não quero que chores, se fui eu que não agi bem. A culpa não é só minha, mas eu deixo que seja. Não quero perder-te. Não quero ouvir-te dizer que não me queres. As lágrimas que não saiam à meses, escorrem agora pelo meu rosto. Eu erro. Erro muitas vezes. Tenho noção disso. Gostava de te pedir desculpa, pelas vezes todas que já te magoei. Pelas vezes todas que do meu quarto te ouvia chorar. Pelas vezes que te oiço gritar, em desespero. Pelas vezes todas, que sei que queres desaparecer e nunca mais voltar. Não consigo pedir-te desculpa, porque sei que não vão ser as minhas desculpas que apagarão nada. Sei que errei e erro. Não sei como te dizer, para me perdoares todas as vezes que já te magoei. A verdade, é que cada vez que te magoo, mogoo-me a mim também. Não te quero ver partir. Digo muitas vezes, quando já não estou em mim, que hás-de querer que vá contigo, e quem não queira ir sou eu. Que hás-de estar sozinha, e dares valor. Mas eu é que devia dar-te valor. Eu é que devia sofrer tudo o que tu sofres, muitas vezes por minha causa. Não tenho o direito de te magoar, não tenho!

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