quinta-feira, 14 de outubro de 2010
jack versus jack
Ela era toda osso. Sem dono, sem lágrimas, sem dor. Sem passado e futuro. No presente, ela pôs um fim. O álcool que cheirava a urina deixou-a mais retorcida que uma cana, depois de sem a essência. Ela mesma não tinha caldo. Ela era oca. E assim os ratos procuram algum alimento nela, famintos, desesperados... Mas ela nunca tivera nenhuma carne. Seus ossos cheiram a decomposição, mas estão intactos, sólidos. São divinos, perfeitos. Robóticos. Ela não tinha o que fazer aqui. Ela não sentia nada, e, por isso, só podia contar com o sentido. Esse ela nunca achou. Mesmo que procurasse inúmeras vezes embaixo da cama.Ela tinha 17 anos e nunca tinha aprendido a sorrir. Pensou em marcar a vida e as mentiras sobre a pele, mas... Que pele? Ela não tinha nenhuma carne, porque a fizeram forte. E então ela não pecou. E ela não viveu. Mas ela morreu. Ela se chamava Jack e passou a beber Jack, e alguns outros amiguinhos também passavam pelo seu corpo: pílulas, super-heróis e alguns outros mais.Ela era toda osso, chamava-se Jack e era forte demais para esse mundo. Ela sabia disso. E seu rosto cheirava a urina...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário