Meu esporte vazio e triste, meu verão perdido em lágrimas e na escuridão perfeitamente moderada do meu quarto vazio. Quando finalmente essa estação se deu por vencida, pude sair e contemplar a beleza do frio. No meu quarto, estava uma xícara de café virada e café seco e amargo no chão. Folhas molhadas e úmidas, o assoalho manchado e a pequena lanterna que me deixou viver nesse tempo.
- Quem é o infeliz que deixa essas bobagens aqui no chão?! – Praguejei ao vento, sabendo que era eu mesma, eu mesma deixara ali, os objetos, caídos, e não me importaria em catar tão cedo.
O vazio do quarto me incomodou aquela manhã. Uma surpresa infeliz me fez notar uma jovem vagando na rua deserta, olhei para o relógio, eram cinco da manhã. Neve espalhada por todos os cantos da cidade. Eu tinha prioridade pela minha casa ser no alto, no último andar do prédio e cercava toda a rua. Aquela menina sozinha parou frente a uma árvore, fitou-a por um momento e direcionou seu olhar para mim. Confusa, ela estendeu a mão e acenou. Agarrei-me nas grades com força e a fitei, seu olhar se desesperou ao notar meu interesse, voltou a andar e sumiu logo de minha vista.
Em passos lentos, fui direto para o banheiro, olhei-me no espelho: Meu rosto estava molhado, meus olhos inchados e meu rosto o mesmo. Acabara de acordar, de fato. Meu rosto ficava cada vez mais pálido no inverno. Meu corpo estava nu, usava um pequeno short foi quando percebi porque a menina devia ter se assustado – sorri para mim mesma, relembrando a expressão dela. Meu sorriso era fraco e frio. Eu não estava mesmo sorrindo, não por dentro. Abri o armário, havia remédios de todos os tipos na prateleira empoeirada. – Há quanto tempo estariam ali? – Pensei comigo mesma. Sem me importar em procurar a validade deles, levei três comprimidos à boca, provavelmente seriam para dormir. Fitei o relógio novamente, mas não para ver a hora, dessa vez apenas para me distrair.
Sua expressão vazia e pálida não me abandonou completamente, onde estaria ela agora? Com a família? Amigos talvez… Dormindo nos braços fortes e acolhedores de um machista qualquer? – Fechei meus olhos com força, tentando esquecer de uma vez essas imagens. – Era para ter se apagado, sumido daqui. Voltei meus olhos para o espaço vazio, no qual eu estava deitada e encontrei uma foto e um gravador. Deitei de volta ao chão e enquanto via a foto, rodei a fita: “Eu te amo, de todo o meu coração, tudo o que você fez para mim, tudo o que você não fez. Tudo o que você me diz ou o que não consegue dizer. Seu medo, seu receio, sua história, minha história. Por favor, seja minha e eu serei sua, ou pelo menos perceba que eu já sou sua, e não me importo se não me quiser, eu já fiz minha escolha, e não terei uma segunda opção. Eu te amo. Adeus!” – Rodei novamente a fita e se repetiu em meus ouvidos.
- Passarei mais uma estação aqui, nas minhas ilusões e infelicidades escritas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário